Continuando...
Nesse meio tempo, em dezembro de 2002, eu conheci Vinicius...
Estava eu, serelepe, em plena micareta quando um moreno, baixinho, do corpo lindo, dos olhinhos apertados, sorriso doce, me puxa. Eu não queria ficar com ninguém (essa foi minha fase pegadora, mas não estava com vontade de beijar mais ninguém naquela noite), mas ao olhar o naipe do cidadão eu pensei “Ah... um beijinho a mais nao mata ninguém”.
Não imaginava eu tudo que iria acontecer.
Depois que beijei o baixinho gostosinho, eu fui saindo, mas ele não me deixou ir embora. Me segurou pelo braço, perguntou meu nome e continuamos juntos. Ficamos o resto do percurso todo juntos (isso é raridade em micareta!).
Marcamos de nos ver no domingo, mas eu passei por todos os lugares possíveis, menos onde eu tinha marcado. Apesar de ter sido tudo muitíssimo bom, não queria encontrá-lo.
Micareta ninguém é de ninguém!
Adivinha o que aconteceu...
Ele me procurou feito doido até que achou. Saímos do bloco e ficamos do lado de fora, conversando e ficando.
Morava no RJ (sotaque...), 19 anos (eu tinha 16), cadete do exército, família de Salvador onde ele passava as férias, bonito, inteligentíssimo, divertido, carinhoso, com atitude, pegada (hahahaha) e um amor de pessoa.
Quando tivemos que nos despedir (os dois com cara de cachorro molhado), ele tomou a iniciativa de procurar por lá caneta e papel. Trocamos telefone e e-mail.
(até hoje eu tenho esse papel guardado, mesmo depois de tudo o que aconteceu...).
Ele me fez prometer que eu mandaria o primeiro e-mail.
Mas para a minha surpresa (!) ele não aguentou a espera e mandou o primeiro. O primeiro de muitos.
Ficamos trocando e-mails não necessariamente melosos, mas e-mails bonitos e com muito sentimento (eu também tenho TODOS os e-mails guardados).
Um trechinho de um dos e-mails:
“É claro que eu lembro do dia que o trio quebrou e a gente ficou tanto tempo fora que o Caju foi embora e a gente ficou, mas tudo bem porque foi o melhor momento do carnatal”.
*eu estava LOUCA pra colocar uma foto dele aqui pra vocês verem que não é exagero meu, mas quero preservar a intimidade do baixinho.
**ele tirou um pouco do foco de Tiago e me fez um bem danado.
***Adoro contar essa história de Vini. Todo mundo que me conhece já a ouviu, mesmo que eu não cite nomes. Se me deixar ficar falando dele, eu falo por horas sem parar. Tem muitos detalhes e muitas coincidências (e elas existem?) que não vai dar pra colocar aqui... quem quiser saber, me pergunta porque eu vou ADORAR contar.
Quando fomos nos ver novamente, dois anos depois, tudo havia mudado. Eu estava diferente, ele também.
Eu, entre outras coisas, não era aquela menina tão doce e boa que ele tinha conhecido. Sofrer por Tiago fez com que eu me fechasse para o mundo. Eu, então, só queria brincar com os sentimentos alheios, era uma forma de eu garantir a mim mesma que não passaria por tudo aquilo de novo.
Entre esses dois anos que demoramos para nos rever, eu namorei e me marcou também. Mas nao vou me ater porque já falei a respeito aqui.
Assim que ele chegou na minha cidade, ele me ligou. Como era bom escutar de novo aquela vozinha cansada e meio rouca que ele tem. *.*
Não sei por que eu fiz certas coisas (quem não vêm ao caso) e ele como era (é) muito ligado, percebeu o que eu estava fazendo e se distanciou.
Ainda tentei voltar atrás, mas não deu muito certo. Eu havia encontrado uma pessoa mais orgulhosa que eu.
"Me deixa voltar eu preciso te amarErrei, mas hoje eu aprendi Prometo não te magoar (...)"
Nessa época ele já era Tenente e estava morando em Maceió.
Pedi desculpas mil vezes, liguei pro seu celular, pra sua casa, falei no MSN, e-mails, SMS, scraps... mas nada! Ele não aceitava nada disso e fingia que não o afetava
“Faz tanto tempo que te conheço,
Mas você mudou comigo (...)”
Nessa ligação ele me disse com a voz tremida que gostava de mim, sim. Mas que não dava certo investir, que era melhor ficarmos como estávamos.
Então, pouco depois ele veio me contar que estava namorando. Quis sumir, matar e morrer. Mas fui levando, tentando me convencer a deixar tudo isso nos meus anais. Só que eu queria vê-lo feliz e bem, seja comigo ou não.
E sempre que eu ia à Igreja rezava por ele, por sua família, por esse namoro, ou seja, por sua felicidade, mesmo eu não estando inclusa nela.
"Every time I see you fallingI get down on my knees and prayI'm waiting for that final momentYou'll say the words that I can't say (...)"
Ainda chorei e me lamentei aos montes, mas em meados de 2006 (antes tarde do que nunca) eu decidi dar um rumo nisso: apaguei todos os números de telefone que eu tinha dele (dois celulares de AL, um fixo de AL, um cel do RJ e o fixo da casa da família dele na BA), excluí do meu MSN e resolvi seguir em frente, cada vez mais dura e brincando com os sentimentos dos outros e não deixando os meus fluirem.
Em meados de 2006...
(continua)





