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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Meu grande e inesquecível amigo

Quando ele chegou em minha casa, eu logo estranhei. Olhei de cara feia.
“Não, eu não quero você”, apenas pensei e resmunguei para mim mesma. Talvez tenha rolado até algumas lágrimas.
Ele era muito grande e não era ele que eu queria.

Tive que me acostumar com sua presença. E que presença!
Ele estava sempre lá! Eu não conseguia me ver livre dele. Só estávamos longe no tempo que eu estava na escola ou passeando com minha família.

Muitos anos se passaram e ele passou a ser meu companheiro de todas as horas.
Era ele quem eu procurava quando estava com asma, era com ajuda dele que eu escrevia minhas poesias. Era para ele que eu falava mal dos meus pais. Ele era cúmplice das travessuras que Erica e eu fazíamos.
Foi ele que disse para eu não sentir vergonha das vezes que fiz xixi na cama.

Mais alguns anos se passaram e ele virou meu confidente de amores mal amados. Foi em sua companhia que derramei minhas doces mágoas, ele foi o primeiro para quem eu procurei para contar que estava amando. Quando eu estava irritada, era nele que eu descontava e ele jamais reclamou.
Era ele que me repreendia quando eu estava errada.
Ele, sempre ele.
Mais que especial.

E quem se lembrava que eu não o queria na minha vida?

Até que chegou o dia da nossa despedida...
Depois de 15 anos convivendo absolutamente todos os dias, chegou a hora dele partir para outro lugar que não sei qual é.
Chorei.
“Sentirei saudades”, disse eu.
Pedi aos meus pais para que me dessem alguns minutinhos de privacidade, para que pudéssemos conversar a sós, ele e eu.
Dei o último abraço e prometi jamais esquecê-lo.

“Vai com Deus, meu colchão Ortobom”.
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Cara, esse post parece piada ou ironia . Mas foi verdade! Tudinho foi verdade mesmo!
Chorei muito ao me despedir do meu colchão Ortobom. Mas ele já estava muito velhinho e eu precisava de um novo.
Eu o tinha como algo realmente especial.
Afinal, de louco todos nós temos um pouco.
Ele se foi há quase quatro anos...

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Eu escrevo a vida!

Camilinha era uma menina linda de cerca de sete anos. Uma menina dos cabelos loiros cacheados, branquelinha, das bochechas rosadas, boquinha vermelha e tímida.
Não era difícil encontrá-la em qualquer canto escondido da casa, com seu inseparável diário e sua coleção de canetinhas coloridas, escrevendo e escrevendo.

Sempre havia um curioso que perguntava o que essa linda garotinha escrevia. Seu pai sempre se intrometia e dizia em tom de orgulho “Essa é a futura escritora da família” e estalava um beijo na sua filha.
Ela não respondia a pergunta, apenas soltava seu belo e espontâneo sorriso, faltando um dentinho e saía correndo pela casa para brincar com as outras crianças.
Mas a resposta ela sabia: Eu escrevo a vida!

Ela escrevia sobre tudo o que sua precoce percepção permitia.
Às vezes palavras soltas, elogios, frases, pensamentos. Às vezes poesias.
Ah! e como ela gostava de escrever poesias!

Os anos foram passando e Camilinha virou Camila. Ficou um pouco menos tímida, mas continuou sendo aquela menina calada e fechada da infância.
Muitas mudanças ocorreram em sua vida, mas algo continuou firme e forte: continuava escrevendo sobre a vida.
Seja que vida fosse, seja de qual ângulo fosse.
E as poesias faziam com que ela conseguisse colocar para fora todo aquele sentimentalismo, emoção e sensibilidade que ela aprendeu com a vida, a ocultar.

Mesmo tantos anos depois ainda existiam pessoas que perguntavam o que ela tanto escrevia ali. Seu pai já não dava a mesma resposta, ele agora fazia coro com os curiosos. Ele também queria saber o que tanto sua filhota escrevia, mas apesar de sua curiosidade, sempre respeitou o espaço dela.

Mais alguns anos se passaram e Camila passou por todas as fases: a adolescente insegura, a adolescente rebelde, a dúvida de ser adolescente ou adulta, a faculdade, as descobertas, mais dúvidas e agora ela se encontra em outro momento de mudança em sua vida.
Mas sua canetinha que não mais colorida é, e seu pedaço de papel continuam sendo seus fiéis companheiros. Onde ela está eles estão.
A vida continua sendo escrita.

Para ela não importa se o dia está claro, sol brilhando e passarinhos cantando. Até pensa ao contrário, é nos dias chuvosos que sua canetinha mais trabalha.
Ela pode falar sobre a pureza das crianças, a crueldade dos adultos, a bondade dos idosos, a falta de justiça social, a presença de Deus, a importância de amigos verdadeiros, a irresponsabilidade e diversão do fim-de-semana, sua idéias, seus acontecimentos, seus delírios, seus sonhos mais profundos, seus sentimentos mais belos e suas vontades mais torpes (...).

Não importa sobre o que Camila escreva, ela escreve com o coração.
Sempre.
E é por isso que ela nunca vai abandonar seu ciberespaço nem muito menos as amizades que ela fez através dele.
Nunca.

Camila escreve a vida porque, para ela, a vida também pode ser escrita!
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*Eu ia escrever sobre algo totalmente diferente, totalmente mesmo, mas saiu esse texto. Então deixa porque ele sou eu de todas as formas.
Ah, meu nome não é Camila.

domingo, 19 de outubro de 2008

O passado e o futuro se fazem presentes

*Texto escrito quando eu estava naquela minha folga de uma semana, há um mês e meio.
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Tem algo que me atrai a passar os dias aqui, pensei durante um longo tempo que era somente a despreocupação de passar uns dias de folga aqui, poder espairecer.
Mas hoje vi que o buraco é mais embaixo: aqui eu sou confrontada o tempo todo com o que sempre sonhei e fui incapaz de conquistar. E o que me atrai a me deparar com meu próprio fracasso? Simples responder, é a possibilidade (imaginária, mas uma posssibilidade) de poder reescrever minha história, de ter uma vida nova, de poder fazer diferente.

É aqui e tudo o que a cidade me propicia, que minha luz brilha mais forte, o sorriso e a doçura de outrora, retornam.
Porém, quando questionada sobre a vontade de morar aqui, eu penso racionalmente e não sei o que respondeu. Todos querem o melhor para si, isso é ponto passivo, o que eu não sei é se aqui vai ser melhor para mim, se eu vou ter peito suficiente para encarar a situação.

Enquanto eu não decido sobre meu futuro, eu deixo as possibilidades imaginárias me invadirem e me alegrarem...
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**Pessoal, ando sem tempo e mais sem vontade de blog, amo isso aqui, mas ando 'sei lá' e perdi o ânimo com isso aqui. Desculpem a falta de visita e atenção.
Boa semana!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O retrato do nosso Brasil

Escrevi um post sobre eleições e outro ironizando o fato de ser mesária.
Agora que o domingo D já passou, eu volto aqui pra contar como foi meu dia de testemunha da democracia brasileira.
“Poxa, Candy, que forte!”.
Pois é... e digo mais, fui testemunha do que é nosso país, de uma forma cotidiana, sem os disfarces do dia-a-dia.

Sabe aquelas pesquisas que sempre o IBGE ou outro instituto divulga sobre a educação e pobreza no nosso país? Sobre a ignorância e falta de conhecimento e preparo para atividades cívicas e até mais básicas?
Tudo isso eu conferi no domingo, de cara com a verdade nua e crua.
Essas pesquisas sempre me soaram verdadeiras, sem dúvida, mas faziam parte de uma realidade que não é a minha diretamente. Convivo com pessoas de nível superior, universitários, pessoas da classe média e da classe média alta. Já passei por estágios curriculares que contando ninguém acredita (pretendo um dia falar sobre isso também).
Só que esse domingo foi diferente.

Vou tentar aqui contar um pouquinho do que presenciei exercendo meu papel de cidadã.
Meu local de votação e trabalho é a Assembléia Legislativa. Um local limpo, arrumando, com ar-condicionado, água mineral gelada e tudo o mais, não havia realmente do que reclamar do espaço físico e estrutura.
Os eleitores começaram a chegar e foi inevitável não observá-los.

Muitos analfabetos (muitos mesmo) e mais ainda semi-analfabeto, daqueles que realmente só assinam o nome olhando pra carteira de identidade e imitando.
Mulheres (que eu chamo de meninas) novas, com pencas de filho.
População negra, mulata, mestiça, pobre, analfabeta e com alta taxa de natalidade
.

Claro que escutei as conversas também. De vez em quando eu dizia que ia ao banheiro e andava bem devagar pela fila para pode escutar o que as pessoas falavam.
Resultado: estavam votando por votar, não sabem qual o papel do vereador (o de prefeito eles sabiam mais ou menos), alguns estavam votando por pura diversão, outros davam seu voto a quem tinham achado mais simpático na telinha.

O resultado?!
Bem, o resultado é fácil de perceber. Seja nas eleições dessa semana, seja há dois anos: falta de estrutura (lê-se informação, educação, etc) mínima para que seja, de fato, realizada a democracia no nosso país.
*Já estou muito bem, obrigada!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Uma carta

Pai,
Você não sabe como esses três últimos dias têm sido difíceis pra mim. Nem eu sei de onde consegui que tantas lágrimas escorressem pelo meu rosto.
Queria tanto te dizer que realmente não sou perfeita, mas eu tento ser sempre melhor. Dia após dia eu tento ser melhor, mas parece que isso nunca é suficiente.

Sei que minha irmã é uma boa pessoa e você queria que eu fosse igual a ela, só que ninguém é igual a ninguém. Queria que você me aceitasse como sou.
Sei que não sou uma má pessoa, desculpa se te decepciono mesmo assim. Eu sofro tanto por você não acreditar, confiar e me aceitar. Tanto que não consigo te dizer.
Já desejei ser igual a ela, já que assim você seria mais feliz. Porém, hoje sei que eu sou eu e me devo valor. Eu sei que tenho meu valor. Com defeitos? Sem dúvida, mas com muitas qualidades.

Você diz que é adepto de resolver tudo através da conversa. E é verdade, você não mente. Mas só você fala, só você está certo. Quando eu vou falar, entra por um ouvido seu e sai pelo outro, sou sempre a imatura que NINGUÉM em casa escuta.
Então eu não falo mais. Aí você me diz que sou infantil por não querer conversar. Falar pra quê se apenas as paredes ouvem e meu coração sente a punhalada de ser sempre a última em tudo?

Eu estou muito magoada, papai, queria que você entendesse o que tento te falar sem palavras. Estou sofrendo. Por favor, não faz mais isso comigo. Estou no fundo do poço, me ajuda, me da sua mão, por favor.

Não, papai, não vou deixar de te amar nunca. Você é meu pai, meu herói, a pessoa que me inspira dia após dia.
Eu só queria que você me aceitasse com os defeitos que tenho.

Com todo meu sentimento,
Candy.
*escrito no sábado à noite.

domingo, 5 de outubro de 2008

Não!

Eu queria poder te olhar nos olhos e gritar com todas as minhas forças que toda vez que você me trata assim, você faz com que eu me sinta errada, inadequada, suja!
Mas eu não sou assim! EU NÃO SOU ASSIM!

Eu não posso me sentir assim...

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Abandono da alma

Ela acordou com frio. Esticou-se um pouco e olhou pela janela. Estava um dia quente, ensolarado.
Percebeu que a porta e as janelas do seu quarto estavam fechadas, ela estava enrolada em dois lençóis e mesmo assim sentia frio.
“Será que estou doente?”, se perguntou.
Não, ela não estava doente. Não dessas doenças comuns, pelo menos.
Não tardou muito para que ela se apercebesse disso.

Era um frio que vinha de dentro, bem de dentro.
Era a frieza da alma, um vazio dentro de si. Parece que sua alma a havia abandonado.
Ela pensou em chorar, sorrir, sair correndo gritando que não tinha alma, sabe-se lá.
Não conseguiu fazer nada.
Aquela frieza a congelou por alguns instantes.
Sentiu-se totalmente sozinha.

Quando consegui, enfim, sair de sua cama, cruzou com seu pai. Cumprimentou-o. Cruzou com sua mãe. Cumprimentou-a. Cruzou com sua irmã. Cumprimentou-a.
Estranhamente continuou sentido-se sozinha.

“Eu estou com minha família, por que ainda me sinto sozinha e com todo esse frio?”, questionou a si mesma.
Ter sido abandonada por sua própria alma não deve ser fácil.
E não era.

Pegou seu aparelho celular e começou a olhar número por número na sua agenda. Precisava de algum amigo que a ajudasse a entender o que se passava.
Do número 01 ao 107, sim, esse era o número exato de telefones que constavam em sua agenda, ela não conseguiu ligar para ninguém.
Na verdade não achou ninguém para quem ela pudesse ligar e fosse lhe ajudar.

Ela, então, foi fazendo seus cálculos do dia: frio, fuga da alma, com e sem família ao mesmo tempo, sem amigos.
Começou a perceber que tudo estava indo mal.

Continuou com sua frieza tentando entender esse seu estranho dia.
Como se uma luz se acendesse acima da sua cabeça, pensou:
“Tenho Deus! Ele sempre está comigo, não me abandona nunca”.
Juntou suas pequeninas mãos, baixou a cabeça, se concentrou e começou a rezar.
Logo percebeu que não sentia a presença de Deus.

“Deus, até você?”, começou a se desesperar.

A menina voltou a sentir uma fraqueza, voltou para a sua cama, pegou seus dois lençó
is, enrolou seu esquálido e pálido corpo.
A frieza foi aumentando, aumentando. Suas forças diminuíram aos poucos.
Lentamente foi entorpecendo-se de tristeza, dormindo, dormindo.
Quando, enfim, dormiu, morreu.
Morreu.
Morreu em paz...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

As promessas

Promessa.

O Aurélio nos diz:
1.Ato ou efeito de prometer.
2.P. ext. Coisa prometida.
3.Oferta, dádiva.
4.Compromisso (1).
5.Voto, juramento.

Olhem os números 4 e 5 novamente. Leiam. Entendam o que isso significa.
Quem promete, assume um compromisso, faz uma espécie de juramento. O voto dessa pessoa já está dado.

Agora saiam do mundo metalingüístico e voltem à vida real.

São amizades que seriam pra sempre e foram desfeitas.
São promessas de políticos que não saem do discurso (ia dizer ‘não saem do papel’, mas me lembrei que nem todos nossos queridos políticos sabem ler e escrever...).
São amores que durariam a eternidade e se perderam pelo caminho.
São dietas que nunca são cumpridas.
São roupas que teriam a mesma cor durante muito tempo e na primeira lavagem, desbotam.
São sorrisos que se transformam em lágrimas.
Dias claros e bonitos que terminam em tempestade.
Um agrado que não sai dos planos teóricos.
Aquela carta que não foi mandada, um palavra não pronunciada.
(...)

Promessa não é só para os outros, é para si também.

Está tudo certo.
Já entendi que as promessas são desfeitas, desmancham como algodão-doce no calor. Derretem como gelo. Desaparecem como por mágica.
Fácil de entender essa parte.
Mas alguém pode me explicar o porquê e de que forma tudo pode perder a cor?
Por favor, alguém aí?


“Não vejo nada.
O que eu vejo, não me agrada.
Não ouço nada.
O que eu ouço, não diz nada.
Perdi a conta
Das pérolas e porcos
Que eu cruzei, pela estrada...”