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quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Quem? eu?

Texto Antigo.
Interprete como quiser.



Cansada. Cansada de tudo, de todos, de mim.
As coisas perderam a graça. Eu perdi o viço.
Parece que nada mais faz sentido. Nem eu faço. Nem meu momento deprimido.
Eu posso mudar a situação. Só eu posso mudar a situação.

Eu não sei se quero mudar esse panorama. Seria negar para mim mesma essa minha dúvida. Não sei se quero continuar onde estou. Não estou falando em suicídio. Ando tão sem atitude que não consigo nem fazer isso.

Tudo está errado. Nada sai como tenho planejado. Será que eu realmente planejei ou fingi que planejei para parecer uma menina certinha que se preocupa com o futuro?

Sai, sai da minha cama. Tudo que eu quero, tudo que a vida pode me oferecer hoje é ela. É esse sossego que só ela sabe me dar, esse acolhimento, esse momento só meu, as lágrimas que ela enxuga ano após ano. Não, minha cama não me julga, não reclama das minhas lamúrias. Ela até gosta desses meus momentos, pois assim ela tem uma companhia, alguém que está lá precisando dela, eu sou alguém que ela pode ajudar. Quando toda essa tristeza passar eu vou embora e ela vai continuar lá, parada, para quando um dia eu precisar (se eu precisar), me abrigar e se fazer mais uma vez do lugar que eu procuro para me esconder do mundo e chorar minhas dores. É para lá que eu sempre volto.

Eu não quero escutar alguém com palavras otimistas. Quero apenas curtir esse meu momento. Amanhã é outro dia e o mundo me exige que eu esteja de pé, com um belo sorriso no rosto, um caderno debaixo do braço e muitos sonhos a serem alcançados. É assim que uma pessoa normal vive. Não é assim que quero viver agora. Quero abandonar tudo, até a mim mesma. Só não quero abandonar essa dor, essa dor que me dopou e agora sou dependente.

É por causa dessa dor que me sinto a vontade para reclamar. É nela que coloco a culpa de muitas coisas. É mais simples! É mais simples do que assumir para mim mesma que eu sou responsável por tudo que acontece em minha vida e se eu quero mudar a situação tenho que me mexer. Prefiro ficar presa nessa dor e deixar a onda do mar bater em meu corpo inerte, sem vida. Até que alguém me sacuda e eu possa voltar à minha vidinha sem graça e sem sentido.

Sinto-me culpada. Não, não é de sentir isso. Sinto-me culpada por expor isso. Afinal, eu preciso estar com um sorriso no rosto, com Freud nas minhas colocações e com forças para seguir. Sempre tem que ser assim.
Ser uma pessoa triste, com problemas, que quer sumir... não pode! É errado. Eu tenho “tudo que uma menina da minha idade pode querer, não pode se sentir assim”. Tenho família, comida, saúde, faculdade, dinheiro, inteligência etc. É até contra Deus isso. “Deixe de ser mal agradecida, menina”.

É por isso que mais uma vez escondo meus sentimentos. Só não consigo esconder de mim mesma essa dor que me dilacerou por dentre hoje. Se eu consigo esconder de todos ao meu redor por que não conseguiria esconder do mundo virtual também?
Então, esqueçam de tudo que eu disse. O mundo é lindo lá fora e eu estou muito feliz.
Já encontrei meu rivotril.

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