Depois de muito prometer, criei vergonha e vim contar um causo meu.
Setembro de 2005,eu tinha tirado a carteira de motorista (a provisória) há dois meses. Eu era podre de cangueira, mas me achava a motorista né?! Peguei o carro e fui dirigindo à casa de uma amiga assistir um filminho. Ar-condicionado e som ligados. Conversas com minha irmã. Isso eu dirigindo a 60 km/h mais ou menos. Quando eu estava passando pelo sinal (muito perto de casa ainda) ele ficou amarelo, mas mesmo assim eu passei porque se freasse pararia em cima da faixa e também porque, afinal, o sinal não estava vermelho. Mesmo assim acelerei para passar a tempo.Quando passo o sinal e chego à outra esquina, inesperadamente (!!!), surge um menino na frente do carro correndo.
Tive que desviar para não atropelá-lo. Como o carro era direção hidráulica eu terminei perdendo o controle do carro (para resumir a história).Quando perdi o controle, só escutei minha irmã gritando e o carro subindo o meio-fio, descendo o barranco, batendo de frente em uma árvore e caindo de ré em um canal (!).
Calculo que tenha batido a 80 km/h.
O acidente foi realmente feio!
Poucos (poucos mesmo) metros a frente tem um viaduto, se tivesse andando mais um pouco, teria despencado de uma altura de sei lá quantos metros. Quem nos ajudou a sair do carro foram as pessoas que moram na rua.Fiquei meio aperriada, mas em momento algum pensei que fosse morrer (nem passou o filme da minha vida, como as pessoas dizem) e eu estava muito mais preocupada com minha irmã que comigo. Mas ela só teve um hematoma na canela e eu fiquei com a marca do cinto de segurança (porque estava de blusa de alça), depois o machucado virou casquinha (hahaha o blog de Candy também tem nojeiras), mas estávamos bem.
Não sei dar notícias ruins! Hahaha
Eis que eu ligo para casa e começa o diálogo:
Candy: Alô?! Mãe?!
Mãe: Oi, filha.
Candy: É porque a gente sofreu um acidente e caímos no Canal do Baldo.
Ela (já chorando): O quê?!?! Caíram onde?!?!?!?!
Candy: Ah, mãe... caímos no canal, oras!
(eu falando como se fosse a coisa mais normal do mundo)
Ela começou a chorar em prantos e disse que tava indo para lá e citou todos os Santos possíveis! Kkkkkkk
Meu pais chegaram e minha mãe chegou correndo, aos prantos, agarrando à Erica e à mim. Depois parou um carro de um senhor que tinha idade para ser meu pai e ele começou a me gritar. Isso mesmo, a me gritar! Dizendo que os jovens são irresponsáveis e num sei o que. Acho que ele ficou nervoso por imaginar os filhos naquela situação, mas mesmo assim não contei conversa e dei aquele berro básico dizendo para ele parar de me gritar. Afinal, quem ele acha que é?! ¬¬
Aproveitei para ligar para a minha amiga (a que eu ia assistir o filme).
Candy: Amiga, vou mais assistir filme não.Ela: Por quê?! Eu sabia que você ia furar! Furona!
Candy: Não, é porque eu sofri um acidente e caí no canal.
Ela: O quê?!
Candy: É... mas to bem, depois te ligo e conto melhor...
Ela (desnorteada): ta certo...
Tirando o susto, estava tudo bem mesmo!
Aí chega a ambulância, descem os para-médicos correndo e perguntam à mim:
Equipe: As vítimas estão presas às ferragens?
(eu com cara de paisagem)
Candy: Não, não.
Equipe: Há sobreviventes?
Candy: Sim, sim.
Equipe: E onde estão????
Candy: Eu aqui e minha irmã aquela ali, rindo ao celular.
Equipe abismada.
Aí perguntaram se eu estava sentindo alguma coisa e eu neguei.
Equipe desapontada. ¬¬
Candy: Ah, mas aquela senhora ali (aponto pra minha mãe) está tão nervosa... vão lá dar uma olhadinha nela...
E a equipe sai correndo, feliz da vida porque iam ajudar alguém! ¬¬
Resumindo tudo (porque estou com preguiça de repetir a história pela milésima vez...hehehe): O carro ficou acabado! O seguro deu perda total. =/ Foi sorte Erica e eu terminarmos bem. Eu ainda passei mal nos dias subseqüentes, acharam que poderia ser pancada na cabeça, fiz mil exames, mas na verdade era apenas porque eu não consegui esboçar muita reação e guardei tudo para mim, então acabei somatizando.
De lá para cá peguei no carro poucas vezes, tenho receio de fazer besteira de novo (nem de acabar com o bem material, mas de machucar alguém). Meus pais insistem para eu voltar a dirigir, mas realmente não quero. Pelo menos não por enquanto.
E minha vida de andante de ônibus continua, sem data para ter fim! E continuo sendo a mais cangueira das criaturas que habitam a terra! E todos viveram felizes para sempre! hahaha
Mas tem gente que é bem pior:


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