Era uma vez uma menininha de vestido rosa. Todos os dias ela ia à escolinha e no caminho tinha uma senhora, vestida de azul, sentada em uma cadeira na calçada.
A senhora parecia acompanhar a menininha andando.
Isso se repetia dia após dia.
Carolina, a garotinha, começou a achar engraçada aquela senhora na cadeira. Primeiro reparou no seu rosto tão encolhido. “Parece um maracujá, mamãe”. A mãe envergonhava-se do comentário inocente da filha, mas não parecia ter um papel ativo em toda aquela situação.
E nem poderia. A relação da senhora e de Carolina ia muito além do que ela poderia imaginar.
A menina ia achando aquela senhora cada dia mais engraçada: sempre vestida de azul, com a pele enrugada, óculos velhos e os cabelos grisalhos. Mas já gostava daquela presença marcante e do seu doce sorriso.
“Eu me sinto seguida por aquela velha bisbilhoteira. Ela não tem o que fazer não?”.
Porém Carolina, que agora se chamava Cacá, não tinha outra opção, esse era o único caminho que a levava ao seu destino.
Aquela senhora de sorriso bondoso, outrora, não passava agora de uma velha, chata e metida.
A senhora continuava no seu lugar de sempre, na calçada, sentada em uma velha cadeira e com sua roupa azul.
Apenas por curiosidade resolveu perguntar à um vendedor de calçado que em época de baixa venda, vivia na porta da loja.
“Oi... você sabe por que aquela senhora de azul não está aqui hoje?”
“Ah, minha filha, eu ouvi dizer que ela teve um enfarte fulminante e morreu nessa madrugada”.
Ela não tinha se dado conta do quanto a pobre velhinha já fazia parte da sua vida, do quanto ela esperava durante todos esses anos por aquele sorriso que era o mais bondoso que já viu na vida.
Só então ela percebeu que a senhora de azul era como uma avó para ela, uma avó que ela não tinha. E como ela foi boba em não ter aceitado o amor da vovó postiça.
Foi aí que ela percebeu o quanto ela tinha evitado a velhinha e isso apenas por ter medo de perdê-la, como já havia perdido tantas pessoas na sua vida.
Por medo da perda ela não percebeu que havia perdido a oportunidade de viver com mais felicidade.
E agora já era tarde demais...
*Inspirado em um post mais meu comentário no blog da Bárbara .
**Não me perguntem o sentido desse texto porque eu também não sei O.o

11 comentários:
Se eu fosse o vendedor de calçados, responderia pra menina:
"ora, você não queria que a velha ficasse sentada no banco abaixo de chuva só pra te esperar passar, né?"
=)
Beijo!
Oi Candy! :)
Eu gostei bastante do texto!
Ele nos mostra o quanto nós fazemos mau juízo das pessoas, né?
A velhinha sorria inocente e bondosamente para a mocinha e ela por sua vez, se sentia incomodada.
Ao mesmo tempo em que julgamos, desvalorizamos aquilo de bom que a vida nos oferece. E só nos damos conta do que tínhamos, quando perdemos...
O ser humano é triste nesse sentido, viu? :|
Beijos, amiga! E tudo de bom pra vc!!! :D
E quem disse que as histórtias TEM que ter sentido!?
Fiou ótiima!
hahaa
EXATAMENTE FLOR EU REALMENTE ESCREVI CORRENDO, TANTO É QUE NEM DEU TEMPO DE POSTAR O MEME E O SELINHO QUE GANHEI
hahaha
beijinho
HOw! bravo! bravo!
ah! candy eu também li o post da Barbara e tbém comentei um montão... adorei seu texto, a adptação das fases da vida, demais!
ah! também uma pessoa assim em minha vida, faz tempo q eu não passo pela rua, faz tempo q eu não o vejo, sabe... me deu até saudades, rsrsr saudades de quem eu nem sei o nome...
bjO
aaai que triste ;~
por isso que eu deixo as pessoas que eu amo todo dia com um eu te amp; afinal pode ser tarde demais; no dia seguinte ;*
Oieeeeeeeeeeeee querida... tudo bem?
Voltei a postar no blog, depois de muito tempo sem nada!!!
Passa lá, vou adorar receber sua visita.
Beijocas
A gente só valoriza algo que perdeu!!!
Ah, esse texto pode ter vários sentidos... como tudo na vida da gente. A rotina às vezes torna imperceptível a importância de certas "coisas"... e dentro do nosso comodismo só percebemos isso quando há alguma interferência. Muita coisa podia ser diferente, mas a gente sempre tem (ainda que inconscientemente) o pensamento arrogante de que a morte é para os outros não para nós...
Cheiro grande.
Olá!
Eu adorei o post. Ele só mostra que quando agente muda o mundo muda com agente. Afinal, a impressão que a menina tinha da velhinha só mudou dentro dela. A velhia continuava sempre igual.
O medo faz nascer muitos preconceitos. Infelizmente deixamos de viver muitas coisas por causa dele.
Bjs
Aaaa vida real!
depois ela se arrependeu né!?
então...
Nooossa, reflexão profunda. Eu um monte de vezes perdi a oportunidade de ser mais feliz pelo simpels medo de perder aquilo que me deixaria mais feliz, sem nem mesmo ter tido aquilo, como tu mesma pos no texto.
Nota dez.
Beijão!
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