Páginas

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Abandono da alma

Ela acordou com frio. Esticou-se um pouco e olhou pela janela. Estava um dia quente, ensolarado.
Percebeu que a porta e as janelas do seu quarto estavam fechadas, ela estava enrolada em dois lençóis e mesmo assim sentia frio.
“Será que estou doente?”, se perguntou.
Não, ela não estava doente. Não dessas doenças comuns, pelo menos.
Não tardou muito para que ela se apercebesse disso.

Era um frio que vinha de dentro, bem de dentro.
Era a frieza da alma, um vazio dentro de si. Parece que sua alma a havia abandonado.
Ela pensou em chorar, sorrir, sair correndo gritando que não tinha alma, sabe-se lá.
Não conseguiu fazer nada.
Aquela frieza a congelou por alguns instantes.
Sentiu-se totalmente sozinha.

Quando consegui, enfim, sair de sua cama, cruzou com seu pai. Cumprimentou-o. Cruzou com sua mãe. Cumprimentou-a. Cruzou com sua irmã. Cumprimentou-a.
Estranhamente continuou sentido-se sozinha.

“Eu estou com minha família, por que ainda me sinto sozinha e com todo esse frio?”, questionou a si mesma.
Ter sido abandonada por sua própria alma não deve ser fácil.
E não era.

Pegou seu aparelho celular e começou a olhar número por número na sua agenda. Precisava de algum amigo que a ajudasse a entender o que se passava.
Do número 01 ao 107, sim, esse era o número exato de telefones que constavam em sua agenda, ela não conseguiu ligar para ninguém.
Na verdade não achou ninguém para quem ela pudesse ligar e fosse lhe ajudar.

Ela, então, foi fazendo seus cálculos do dia: frio, fuga da alma, com e sem família ao mesmo tempo, sem amigos.
Começou a perceber que tudo estava indo mal.

Continuou com sua frieza tentando entender esse seu estranho dia.
Como se uma luz se acendesse acima da sua cabeça, pensou:
“Tenho Deus! Ele sempre está comigo, não me abandona nunca”.
Juntou suas pequeninas mãos, baixou a cabeça, se concentrou e começou a rezar.
Logo percebeu que não sentia a presença de Deus.

“Deus, até você?”, começou a se desesperar.

A menina voltou a sentir uma fraqueza, voltou para a sua cama, pegou seus dois lençó
is, enrolou seu esquálido e pálido corpo.
A frieza foi aumentando, aumentando. Suas forças diminuíram aos poucos.
Lentamente foi entorpecendo-se de tristeza, dormindo, dormindo.
Quando, enfim, dormiu, morreu.
Morreu.
Morreu em paz...

18 comentários:

Caféína disse...

Poxa...
será q é assim que se despede do mundo?

Antônio Dutra Jr. disse...

Pelo menos se despediu em paz... Angústia é a pior coisa que existe.

Beijo, Branquela!

nay disse...

Solidão é uma coisa que não se explica assim de forma fácil não é...
há sempre algo faltando... algo nos faz falta, mas não se sabe o que...
há dias que acordo assim... o dia as vezes nunca é.. e passo a noite pensando o que poderá ser amanhã...

torço para que o tempo seja bom com todos nós... pois se eu não melhorar... endurecerei como rocha.. e perderei a ternura..

Anônimo disse...

ai, a noite foi boa, mas essa q citei no post, ja fez um tepinho...ficou o cheiro

Alguém disse...

Bem... Eu sinto a solidão, quase que sempre, mesmo estando cercada de pessoas. Mas aprendi a conviver com ela de maneira tal que ela não me deixe pra baixo e nem tire a cor da vida!

Quanto a Deus... Ele semrpe está conosco, o problema é que na hora da dificuldade, não conseguimos "limpar" a nossa mente das preocupações, e Deus, acaba passando desapercebido.

Aprendi que a reza tem mais efeito, feita de joelhos dobrados! ;)

Beijos!!! Se cuida e fica com Deus!

Camila disse...

"Era um frio que vinha de dentro, bem de dentro."
PefeitooooOOo

Ps. SOu de MG!

Késia Maximiano disse...

Super obrigad apela visita...

Sobre o post: Dolorosas despedidas.

Bjos

Sergio disse...

Moça, em respeito ao teu recado lá no Sônico: Maravilha, Candy! Resta saber se "AGORA VAI!"

Ps.: essa eu vou repassar pros amigo...

Anônimo disse...

E eu pensando... "eu estou me sentindo assim vazia, com várias pessoas ao redor e sem ninguém pra me ajudar efetivamente".
Não pensei que a história fosse terminar em morte!
Acho que estou vivendo com pensamentos demais, isso sim. Talvez a frieza seja só fingimento.

Girl disse...

Oi,

Nunca estamos realmente sozinhos.
E acho que em momentos assim, só contado com Deus mesmo.
Todas as vezes que precisei, ele estava ali para mim.
Mas não queria que a história acabasse em morte!
Temos que morrer unidos, em paz com Deus e ele em nosso coração.
Não nos sentindo sozinhos.
É o que eu penso...
Mas o texto estava lindo, parabéns.

Beijos,

Girl

Lawrence Tayller disse...

Belissimo post.

Assim me sinto muitas das vezes, com uma unica diferença, não tenho ninguem para cumprimentar o ao acordar, pois moro só.

Bom,
Só espero que tenha morrido em paz, toda a tristeza, melancolia, desespero e tédio.

Resta-nos lutar, lutar e lutar por dias melhores, e claro por dias de paz.

Sucesso para ti...
e fique em paz!

Abração fortão.
Por Lawrence Brito

J. Lara disse...

É muito ruin a solidão, principalmente quando não estamos literalmente sós, quando estamos acompanhados mais sozinhos, quando pensamos em falar, se abrir com os outros mais dentro tem um vazio tão grande que não daria pra explicar pra ninguém, mesmo porque ninguém entenderia...
Pensando sobre isso eu vejo que a unica ajuda é a divina, só mesmo quem nos criou pra nos entender, e acredite, ele nos escuta e nos entende...

Anônimo disse...

Oiie muito obrigada pela msg e pelo bem-vinda!!! Fiquei mto feliz...:)
Bjoss!!

Dani Pedroza disse...

Ontem mesmo estava conversando com uns amigos sobre a solidão. Chegamos à conclusão de que é um mal generalizado, mal dos tempos (talvez, da "falta de"... está bom, o trocadilho foi terrível...rs). Mas também estou falando de uma conversa de mesa de bar, filosofia barata e trocadilhos dessa "grandeza" não podiam faltar, né? rs

Enfim, me pergunto se somos tão sozinhos porque os outros estão egocentrados demais em sua própria órbita ou se somos nós que nos fechamos, que subestimamos a capacidade do outro de entender.

Aff... já estou viajando demais... rs. O fato é que adorei o post.

Bjin !!!

Anônimo disse...

Uma pena, morreu com frio.

A paz é fria?


;**

Lily disse...

espero que essa morte seja do tipo "morrer um pouquinho", sabe?
sabe qndo a gente morre mas acaba ressuscitando?

tomara q seja assim com a menina!

bjsss

Anônimo disse...

hum ... o frio da alma, estar só ninguém para compartilhar dos seus anseios e nescessidades ,aflições ,felicidades, compreender, estar só rodeado de pessoas ... com sabedoria se vence tudo!

Tathiana disse...

Será q isso, essa sensação estranha, é mesmo paz? Beijos.