Páginas

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Nostalgia

Para quem é novo no blog e não sabe, eu estou me formando esse ano em Psicologia. Meu estágio final é em Psicologia Clínica.
Bem, como já estamos no final do ano, temos que dar o fechamento com nossos clientes (as pessoas que atendemos em psicoterapia individual) e fazer o encerramento.
O que é isso?
Bem, é dizer para cada um de nossos clientes que o ano está acabando, que não vamos mais atendê-los, que caso eles queriam continuar em psicoterapia, será apenas próximo ano com outro estagiário.

Eu reclamo todos os dias quando vou atender. E não é por não gostar do que faço, muito pelo contrário! Encontrei-me totalmente nessa área. Reclamo porque ando cansada física e principalmente mentalmente.
Conheço meus limites e sei que preciso de férias.
Sei que é difícil para algumas pessoas entenderem o quanto os estudantes de psicologia se doam. Também sei que em todos os cursos os alunos costumam se doar (claro que há exceções), mas com psicologia as coisas são um pouco diferentes.
É preciso entrar em contato com seus pesadelos, traumas, medos, inseguranças, etc. O tempo todo somos confrontados com partes nossas que não queríamos ou não sabíamos ter. Isso dói, gente, como dói.
Só que um dia eu pretendo falar sobre isso melhor, o assunto de hoje não é esse.

O que eu quero falar é sobre esse sentimento de perda, de despedida.
È, é exatamente isso: estou me despedindo! Dos colegas, da faculdade, de muitas coisas. Mas hoje me doeu ter que me despedir de minha cliente.
A conheci no Plantão do ano passado e comecei a atender individual e sistematicamente em março de 2008. Criei vínculo com ela, gosto dela, vou sentir sua falta!
E essa despedida foi direto em uma ferida minha (por isso que falei sobre sermos confrontados o tempo todo): eu ter que me despedir sempre, sempre, sempre.
Sei que todos passam por isso, mas na minha vida isso tem sido muito freqüente.
Cara, dói escrever isso. Dói pensar nisso. Dói passar por isso.

Misturei mil assuntos num post só, ficou até confuso, mas acredito que isso tenha acontecido porque minha cabeça está igualmente confusa.
Mas saio desse estágio de cabeça erguida, com a sensação de que fiz meu trabalho e bem feito. Com essa cliente (a mais especial que eu tenho ou tinha...), percebo mudanças enormes nela, melhoras gigantescas e isso me dá orgulho!
Isso me faz feliz, sei que ajudei alguém, ajudei alguém a se ajudar. Vale a pena, essa é minha grande recompensa.

Vou, mas não sem lágrimas rolarem meu rosto...
Tomara que a próxima estagiária cuide tão bem da minha cliente quanto eu cuidei até hoje.

*Não tem como eu continuar atendendo-a porque ela não tem condições de pagar e não posso fazer gratuitamente porque não sei nem da onde vou tirar dinheiro para alugar uma sala...

13 comentários:

Auíri Au disse...

Ajudar alguém...
Sem saber a quem!!
A sua recompensa será maior pode ter certeza!!

Beijos

Camila disse...

Confuso mas não misturado!
Você tem o dom, garota!
Beijo

Renata Marques disse...

Odeio despedidas, sempre é triste...

ótimo post!

Seja grata, ser psicóloga é ter a oportunidade diária de crescer com as próprias experiências e as experiências alheias.

;)*

Antônio Dutra Jr. disse...

É, Branquinha, romper uma simbiose não é fácil, mas muitas vezes se faz necessário para o nosso crescimento. Espero que essas perdas somente te façam amadurecer e viver ainda mais experiências benéficas na tua vida.

Beijão!

Anônimo disse...

nossa eu espero q ela cuide bem mesmo da sua cliente
sabe sei como eh ta super cansada assim melhoras pra vc

!!!!


sim ja etou bem melhor da colica

Dani Pedroza disse...

Eu acho mesmo que a gente nunca sabe ao certo se é amor. Aliás, amor não tem nada a ver com saber, não é? Então, faz algum tempo desencanei com essa coisa de me questionar o nome das coisas que sinto. Apenas sinto, ou não sinto. E tento ser sincera comigo mesma e com os outros. Mas, confesso que isso cria alguns conflitos. A maioria das pessoas precisa de rótulos pra se sentir segura, querida.

Quanto a seu post, só o que tenho a fazer é te parabenizar. Pela escolha da carreira a seguir, pela formatura, pela dedicação, e principalmente, pela sensibilidade, pela capacidade de perceber o outro e a si mesma.

P.S.: Não achei o post nem um pouco confuso. Muito pelo contrário.

Bjin !!!

Leandro disse...

Despedidas. Não tenho grandes problemas com despedidas, até porque ainda não senti na pele nenhuma grande despedida. Terminei a faculdade, mas não criei um vínculo muito grande com as pessoas, apenas com umas 3, mas que vira e mexe ainda as encontro.
Ainda não precisei me despedir dos meus amigos de verdade e nem dos meus parentes mais próximos e queridos.
Ainda não sei o que é despedida.
Parabéns pela formatura!! Mais uma etapa concluída.
Beijo

Anônimo disse...

a confusão faz parte da vida de muita gente bom ñ estar passando confusões do coração..beijos

Anônimo disse...

Oie!

Poxa, é lindo o que vc faz, e pelo que vc diz, não há sombra de dúvidas de que você realmente se doa no seu trabalho. E a gratificação de ver que um trabalho deu resultado (positivo) não há dinheiro que compre ou memória que apague.
É realmente ruim se despedir, ou terminar algo que estava muito bom, acho que é daí que vem a frase, "nem tudo o que é bom dura para sempre" - mais ou menos assim.
Pior ainda é a sensação se despedida, não sei se com todos a reação é a mesma, mas comigo me dá um sensação de buraco na mente e no corpo, um vazio. Complexo isso.

Com certeza vc vai ter muito sucesso.Isso é fato.

Um mega bjo e abraço.

nay disse...

então somos duas "finalistas" rs.... em conclusão de curso!!! logo estarei de volta... rs... beijos...

Anônimo disse...

Poutz nega, despedida é sempre triste. E qto a se doar, tenha ctz de que será muito bem recompensada!

Um super beijo

Dora Casado disse...

Eu compreendo. A gente quer se livrar de certas coisas, como por exemplo a monografia que parece ser interminável, mas aí junto com o fim dela, se vão outras coisas...a rotina... Mas o que importa mesmo é tudo que te foi acrescentado pelas pessoas que fizeram parte dessa rotina... Isso nunca muda nem acaba. E é tão bom lembrar.
*Por aqui, a gente faz reuniões periódicas para não se perder de vista...rs rs*
Cheiro bem grande e um lindo fim de semana.

Anônimo disse...

Todo final de ano é o mesmo sentimento de despedida. Eu sou que nem você, odeio despedida. O pior é saber que um ano só pode acontecer tantas coisas, como também não pode acontecer nada, mas mesmo assim fará falta. Apesar de ter que ser assim, é ruim, dói e tudo mais.

Mas melhoras, e pensa que quando você tiver lá na frente vai lembrar disso com orgulho e prestígio :)
;*