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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Minha vovó

Há uma pessoinha na minha vida que eu chamo de avó. Não, ela não é minha avó de sangue, mas por ser uma segunda mãe pro meu pai, passou a ser minha avó.
Domingo, dia das mães foi o aniversário dela, 89 anos.
Essa visita mexeu bastante comigo.

Mas deixem-me apresentá-la antes. Quando meu pai foi, ainda adolescente, tentar a vida no Rio, foi ela quem o acolheu, deu casa e comida, dinheiro pra transporte e alimentação na rua. Depois de tanto apoio e amor, ela passou a ser a segunda mãe pro meu pai. Cresci chamando-a de avó, mesmo sem nem saber direito o porquê.
Ela não se casou, não tem filhos e hoje é totalmente cega.
Não tem filhos? Ah, tem sim! Tem meu pai e de quebra ainda ganhou duas netas (Erica e eu).
Sabe aquela avó doce, com a voz tranquila, a pele macia, o cabelo bem branquinho e com um jeito encantador? A própria.

Ela pediu pra sentar no sofá, estando Erica de um lado e eu do outro. Segurou na minha mão o tempo todo. A mão dela é aquela que passa segurança e amor. Uma delícia mesmo.
O telefone tocou e ela atendeu, agradeceu a parabenização e emendou “Ah, D. Fulana, estou tão feliz, ganhei meu dia por ver minhas netinhas”.
Já engoli seco, afinal, eu nem queria ir lá visitá-la.

Ela começou a contar um pouco de sua vida para mim e Erica. Contou que saiu do interior e morou de favor na casa de um parente, para que pudesse ter sua independência. Enquanto todas suas primas iam paquerar e pensavam em casar, ela disse que era muito tímida e preferia ir à Igreja rezar. Seu tempo era todo ocupado com estudos e a busca de emprego. Quando estava quase tendo que voltar ao interior porque não havia encontrado nada na capital, recebeu uma carta dos Correios sendo admitida para lá trabalhar.
Trabalhou até se aposentar.
Estamos falando de uma mulher que procurou independência numa época que o esperado era ‘apenas’ que a mulher casasse e servisse seu marido.

Como em tom de conselho, disse para nos casarmos, mas logo emendou “não com qualquer um! Tem que ter amor”.
Diminui o tom de voz e continuou: “Não esperem os quarenta (anos) não. Quando se chega aos quarenta, ninguém mais quer, fica solteirona. Ter uma família é muito importante. Se não fosse a família que eu construí (se referindo às pessoas que ela ajudou a criar, como meu pai), não estaria nem mais viva. Viva para quê? Vocês, meus amores, salvam minha vida”.
Engoli seco, meus olhos se encheram de lágrima. Vi o quanto foi doloroso para ela, ter passado a vida toda fazendo da parte da família dos ‘outros’, sem ter a sua própria. Mas que essa ‘família dos outros’ passou a ser a dela também e, sim, ela sabe se fazer presente.

Senti muito orgulho dela!
E ela ainda concluiu: estudem, busquem, cresçam e aí sim! Aí vocês casam.
Isso saiu de alguém que foi educada há quase um século.

10 comentários:

Desabafando disse...

Oi, vim parar meio por acaso aqui, me identifiquei com muito do que voc~e escreve! Sou nova nesse negócio mas vou te linkar no meu blog. Depois passa lá pra espiar o meu!

Gaby Almeida disse...

Ai Candy queria eu ter uma avó dessa... pra falar a verdade queria ter qualquer pessoa que me desse conselhos e opoio... seu post me fez chorar de novo...

Youko Watanabe disse...

Ahh Candy, eu nao tive vó.. as duas ja eram falecidas qdo nasci. Mas me emocionei bastante com seu post. Eu me senti assim uma vez quando fomos visitar uma vizinha de minha mae, (que minha mae ama muito, cresceu a base de seus conselhos..)Ela ficou muito feliz de nos ver.

Beijos (pensou na imagem??)

Pollyanna disse...

AIAIAIAIAIAIAII
eu amo vovozinhaas com essa descriçao! ô coisa fofa!! hahahaha
eu ja perdi minha vó, e ela dizia isso pra gente tbm! pra primeiro estudar e depois casar; dizia que achava melhor a gente chegar em casa de manha, pq era menos perigosooo... ahauahuahah

owwww mai!
agora vê se vai visitá-la maais vezes!!

beeijos

@millafersan disse...

vó semrpe mexe com a gente.. familia e as consideraveis pessoas tb.. bjks..

Dani Pedroza disse...

As pessoas têm mania de buscar um "herói" lá fora, de idolatrar artistas, gênios, até as tão atuais celebridades instantâneas (aff). Muits vezes não percebem que muito perto, às vezes dentro de suas próprias casas, há pessoas realmente dignas de admiração, não por um talento, mas por atos, por batalhas, por superações. Nada contra o talento, contra a arte, muito pelo contrário, mas vivemos num país que realmente deveria dar mais valor a sua "gente".

Lindo post. Bjs !!!

Dora Casado disse...

Lindo, Candy! Um belo exemplo de vida. Que Deus a abençoe e que possamos nós chegar à melhor idade da melhor maneira, como ela. :]
Cheiro grande.

H. 0.9. disse...

É que existe o costume de classificar NOSSA cultura e NOSSA educação como as melhores. Havendo humildade para ouvir, pode-se aprender muito com essa gente "velha" e "ignorante"...

Invasão por intermédio do "Way Down In Neverland"... gostei, o texto tem uma leveza gostosa.

Küssen!!!

Alguém disse...

Essa sim, é a boa e velha sabedoria dos mais vividos. E que conselho precioso!!! :D
Ela parece mesmo ser um encanto de pessoa. Além de ser uma grande mulher, com a mentalidade a frente de seu tempo!...

Aproveite muito cada instante com sua avó, amiga!
Você aprenderá muito! ;)

Beijos!!! Fica com Deus e se cuida!

Lay Santana disse...

Minha mãe que não me ouça, mas não sei o que vou fazer da minha vida sem a minha avó.
Aquela "velhinha" é a coisa mais importante da minha vida!
Ela é meu exemplo de força, de coragem, de mulher mesmo.
E o melhor é ver que ela aprende junto comigo.
As vezes pequenos atos, pequenas frases nos fazem dar um valor incrível às coisas...
Um big beijo.