Ele morava em Curitiba. Ela em Natal.
Dezembro de 1975.
Eles se conheceram em uma formatura. No dia seguinte começaram a namorar.
Ele que era desconfiado com as pessoas, confiou de primeira nela. Ela que era durona, amoleceu.
Ele ainda passou um mês na cidade dela.
Ele voltou à Curitiba. Ela continuou na sua cidade.
Só foram se ver novamente em Julho do mesmo ano.
Enquanto isso, ele escrevia uma carta por dia para ela e colocava nos Correios. Ele nunca imaginou que pudesse ser tão romântico.
Ela, por sua vez, guardava todas com um carinho especial.
Às vezes falavam-se por telefone, mas nessa época isso não era muito comum.
Ele se formou e ela foi comemorar e estar junto nesse momento tão especial e importante com ele no Sul. Claro que a mãe dela também foi junto, a filha não poderia ficar mal falada.
Em janeiro do ano seguinte ele saiu de Curitiba e foi morar em São Paulo.
E os encontros eram sempre assim: interrompidos. Mas quando perguntados, respondiam que havia plenitude e amor.
“Ele é o homem para toda a minha vida”.
Diziam isso desde o começo do namoro.
Sabiam que a distancia era necessária para que eles ajeitassem a vida profissional e financeira.
Eles contaram que a saudade dilacerava, mas era preciso agüentar tudo. Isso passaria rápido e teriam a vida inteira pela frente.
Agradeceram aos céus por ele estar perto e poder ir à cidade dela todo fim-de-semana.
Era ela quem ele queria. Era em seus braços que ele encontrava o sossego que tanto pedia durante a semana.
“Estou de volta pro meu
aconchego. Trazendo na mala
bastante saudade (...)”
Era ele quem ela queria. Era com ele que ela sentia que estava completa, feliz.
Mesmo assim sem muito sossego porque naquela época a “moça podia ficar mal falada e os homens só queriam se aproveitar”.
Nenhum dos dois acreditava que isso pudesse acontecer entre eles.
Eles não queriam mais esperar. Ela foi até Recife para comprar os móveis da casa.
20 de Abril do mesmo ano eles se casam no civil. Mas não foram morar juntos. Aconteceu apenas para ele dar entrada na burocracia de pedido de moradia na vila militar, a qual todo militar casado tinha direito.
Começaram, então, a vida de casados de verdade.
Em maio de 1981, lá estavam eles de volta à Recife, a segunda paixão dele.
Com o nascimento, em fevereiro de 1982, de sua primeira filhinha: Erica.
Mas eles sentiam que ainda faltava algo. O que era?
Bem, para completar o que já, por tantas vezes, parecia completo, nasceu em Novembro de 1986, Candy.
Bem, com eles deu.
E quem disse que Era Uma Vez só acontece em contos de fada?


