“Isso não acontece comigo”.
Já passei e repassei a história na minha cabeça e juro que ainda não entendo (ou não quero entender), nem consigo digerir.
Pensei em falar aqui de uma forma mais impessoal, misteriosa até. Mas não! Dessa vez eu quero escrever tintintin por tintintin. Quero, ao menos que por um segundo, falar sobre o que realmente aconteceu, sem máscaras, sem disfarces, sem armaduras e um sorriso de que nada me atinge. Não, eu não sou de pedra como as vezes tento mostrar.
Sou uma menina, mimada, pequena, um tanto indefesa, romântica e sonhadora.
Quem fala comigo além do blog ou quem acompanha aqui há mais tempo, já deve saber da história de um menino que eu conheci há mais de dois anos, em outra cidade (lembram que eu sempre reclamo da distância?) e que em pouco tempo virou meu xodó, meu ‘mow’. Costumo dizer que tenho muito que agradecê-lo porque até antes de ter realmente contato com ele, eu era muito fechada pro amor, cheia de desilusões e evitava qualquer aproximação. Reações de quem já apanhou um bocado na vida.
Enfim, vou encurtar um pouco a história pra poder falar do que realmente eu quero.
Esse ano eu já estava de malas prontas pra viajar até a cidade dele. Uma viagem que me custou dois meses de trabalho (eu, de férias, com mil festas me chamando, com dinheiro no bolso e não gastei um centavo porque estava de olho nessa viagem), brigas gigantescas em casa, horas de lábia para convencer minha irmã a ir comigo. Sem falar que abri mão de meninos bem legais por causa dessa história e desse amor que pensei que era verdadeiro.
Na semana da tão sonhada viagem, tive que desfazer as malas porque o tio dele havia falecido, “meu mow” estaria no interior com a família, etc. Ok. Entendi tudo perfeitamente apesar de ter ficado absolutamente arrasada.
Na época da minha formatura mandei meu convite mesmo sabendo que ele não poderia vir. Mandei porque ele faz parte desse momento e queria dividir com ele. Confesso que fiquei muito na dúvida se eu mandava ou não, era meu racional piscando a luz vermelha. Mas mesmo assim resolvi mandar, meu coração se sentia seguro com o amor que eu sei que sinto por ele e pelo o que eu sei que ele sente por mim (por favor coloquem a frase no passado).
Estamos começando abril, estou desempregada, sem fazer nada o dia todo, mas evito sair para não gastar o dinheiro que juntei pra ir vê-lo.
Combinei, enfim, uma data com minha irmã para a minha tão esperada viagem. Seria em determinado dia de maio. Pesquisei hotéis e já estava para reservar.
E, novamente, sei que enfrentaria uma guerra aqui em casa (por motivos que não vêm ao caso). Só que minha decisão já estava tomada: viajaria pra ver meu xodó, meu bebê, meu pequeno, meu mow.
Eis que, do nada, descubro um pequeno detalhe: ele começou a namorar e não teve sequer a decência de me contar.
Na hora qu
e eu vi, fiquei sem acreditar. Depois veio um tsunami de lágrimas, uma revolta, um ódio, uma tristeza intensa, uma decepção sem tamanho.Como você pode fazer isso comigo? Como?
Eu não consigo acreditar que você é tão safado, mau caráter e covarde a esse ponto. Não, eu não quero acreditar que todo esse tempo tudo não passou de uma farsa, de um passatempo.
Me senti tão burra, idiota, humilhada, enganada, pequena, estúpida. Uma típica ‘mulé burra’.
Eu queria tentar descrever a quantidade de lágrimas e a qualidade dos meus sentimentos, mas palavras não alcançam esse momento.
Apaguei os números de telefone, as SMS, excluí e bloqueei do Orkut, excluí do MSN, apaguei todos os e-mails mandados e recebidos. Infantil? Sem utilidade? Que seja! O que eu tenho plena certeza é que essa tristeza, raiva e decepção estão me matando e eu preciso de distância disso tudo. Distância dessa mentira, dessa sujeira, dessa falsidade. Distância.
E um pouco de conforto, ao menos um pouco.
Por favor, amigos, não comentem dizendo coisas do tipo “serviu para alguma coisa, Candy”, ou pior! Não me digam pra ir conversar com ele porque aí serei mal educada e mandarei o dono do comentário ir tomar no cu. Ok?
Post desabafo, queria colocar pra fora um pouco dessa dor que está me consumindo hoje, que fez tirar um pouco do brilho que vem dos meus olhos e quase toda a credibilidade que eu tinha nos seres humanos.
E, mais uma vez, me declaro fechada pra balanço, sem um pingo de vontade de ter algum relacionamento amoroso pelas três próximas décadas.
“Como assim?
você disse que me amava tanto ontem,
eu juro que ouvi(...)”.

