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quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Em um reino ... II

Parte II
Até que...
A tia de Mallukinha começou a descobrir algumas das mentiras contadas e deduziu que a Candy estaria junto em todas elas. E deu um ultimato: ou as duas paravam de fazer besteira ou ela contaria tudo que estava acontecendo aos pais da Candy. “Vocês estão agindo como crianças, então serão tratadas como tal”.
A tia chegou em um ponto crucial para a Candy, que era o (não) envolvimento dos pais na história. Pobre Candy... não queria que seus pais se decepcionassem mais uma vez com ela, sem pensar que tudo o que acontece consigo, envolve automaticamente toda sua família. Iludida Candy...

Ao saber do ultimato Candy ficou paralisada, mil hipóteses passaram por sua cabeça. Mallukinha decidiu aquietar-se e mostrou-se compreensiva ao dizer que entendia que as duas se separassem, que era para Candy não se prejudicar.
Surpresa para ambas foi quando a Candy, depois de passado o susto, disse que não haveria distância entre elas coisa nenhuma. “Amiga é em todo momento e não só nas festas”.

Elas nem tinham percebido, mas a aproximação que tinha começado por pura farra, tinha virado uma amizade verdadeira. Aquela amizade que é para toda a hora. A parceria entre elas não era apenas uma parceria... era uma parceria com base na amizade e em tudo que tinham passado até então e aprendido com todas as novidades.

Enquanto as outras pessoas ao redor delas continuavam com os mesmos hábitos pouco saudáveis, elas tinham se transformado em pessoas diferentes e iguais ao mesmo tempo. Diferentes porque tinham mudado o que estavam fazendo nos últimos tempos; iguais porque elas continuam trilhando caminhos semelhantes.

Passeio ao Shopping, filminhos, caminhadas, estudos, trabalhos da faculdade, congressos, palestras, horas no MSN, horas no celular, SMS, trocas de MP3... enfim, a amizade delas realmente tinha virado uma amizade saudável.
Elas percebiam que a cada dia que passava estavam cada vez mais próximas.

Confidências aos milhares. Candy, a mais ‘durona’, ia ensinando como não se deixar levar por falsas promessas de ninguém, principalmente a lábia masculina.
“Você tem que ser mais você sempre!”, era o que ela mais dizia.
E, juntas, elas iam se divertindo com as relações masculinas (cada qual com seu cada qual). “Você não sabe o que aconteceu hoje...”. E assim começava mais uma confissão.
Troca de experiências.
E aquelas meninas não eram mais tão bobinhas e inexperientes assim. Elas cresciam juntas.

E como elas eram diferentes! Uma era popularmente conhecida como a estressada; a outra era a calma. Uma falava pelos cotovelos; a outra só escutava. Uma era, aparentemente, fechada para sentimentos; a outra mais aberta. Uma tinha fama de pisar nos homens; a outra de ser pisada. Uma com jeito imponente; a outra, de coitadinha. Uma extremamente ligada aos estudos; a outra nem tanto. Uma escutava rock; a outra, forró.
(...)
Mesmo diante de tanta diferença eles continuavam firmes e fortes. Só bastava que se olhassem para saber o que se passava na cabeça da outra. Quando queriam conversar sobre algo e tivesse mais gente por perto, bastava que se olhassem para saber sobre o que se tratava. Não precisavam de palavras para se expressar. Era incrivelmente fantástico tudo isso.
Havia quem desconfiasse que ali existia mais que uma amizade. Existiria um relacionamento amoroso? Não, não.

Quando Mallukinha queria voltar a fazer besteira, Candy não deixava. Quando Candy queria jogar tudo para o alto, Mallukinha não deixava.
Mallukinha queria de qualquer jeito ‘pegar outro cigarrinho’ e para isso ia subir ao morro para comprar. Candy não deixou de jeito nenhum.
Sorte de ambas! Porque, caso Mallukinha decidisse ir, Candy não a deixaria ir sozinha e subiria também. E nesse dia houve batida policial no local.
“Você ta financiando a violência, sabia? Sem contar os milhares de problemas que vão desde a sua família à você”.
“Deixa de drama, Candy... é uma vez só...”

Mas isso não impedia que elas vacilassem de vez em quando.
Mallukinha: Candy, o que você está fazendo?
Candy: Resolvendo uns problemas perto da ‘facul’, por quê?
Mallukinha: Acabei de atender um cliente no plantão. Casca grossa... preciso beber.
Depois de Mallukinha convencer Candy a ir a um pagode que estava acontecendo na cidade... elas foram e conseguiram mais substâncias ilícitas. Consumiram, mas juraram que era a última vez. E realmente foi. Nunca mais nenhuma delas se aproximou de nada disso. Drogas eram coisas do passado, que foi enterrado.

Tudo ia perfeitamente perfeito. A tia começou a ver a amizade entre ambas com ótimos olhos. Ela percebia que, ali sim, existia uma amizade sincera, verdadeira e ‘de futuro’.

Só que essa amizade não contava com uma coisa...
(continua)


*se eu demorar a responder os comentários é porque minha vida está uma loucura. Mas assim que der eu o faço. =)

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