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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

As três rosas

Cristina fez fama de ótima jardineira em sua pequena cidade. Quem a via hoje chegava a pensar que tudo que ela conquistou caiu do céu... mal sabendo que ela suou e batalhou muito para chegar onde chegou e a que a cada dia ela matava um leão, não é assim que o ditado popular fala?

Apesar de cuidar de muitos jardins e plantas afins, havia três rosas que ela tratava com especial atenção.
Em alguns momentos ela dava mais atenção à uma, as vezes à outra e assim seus dias, meses e anos foram passando.
Talvez ela nem se desse conta de quanto tempo já havia transcorrido desde que ela se dedicou com tanto afinco à essas três rosas.

Sem saber por que, Cris passou a sentir uma obsessão por uma das rosas. Dormia e acordava pensando nela. Passava seus dias regando-a, cuidando, observando, acariciando e quando não podia estar perto da rosinha, sentia uma forte angústia.
Cris percebeu seu impulso, tentava agir com mais cautela; tinha plena consciência que, se continuasse assim, ela podia matar a pobre rosa.
Apesar de ser uma ótima jardineira, Cris não conseguia mais achar o limite do saudável com sua rosa, não sabia o momento de parar. Ficou com medo de aguar demais a plantinha e prejudicá-la, porém Cris não conseguia mais agir “mais ou menos”: ou ela cuidava excessivamente dessa rosa, ou não cuidava.

As outras duas rosinhas que ela tanto gostava, não chegaram a ficar esquecidas, no entanto Cris só cuidava por pura obrigação. Apenas por já ter anteriormente se comprometido a cuidar delas.
E outro pensamento egoísta passou pela sua cabeça: “se minha rosa predileta murchar, eu ainda tenho mais outras duas!”.

O resultado foi que a rosa dos olhos de Cris, murchou e murchou muito!
“Por que ela fez isso comigo? Cuidei tanto dela e ela ainda me deixa sofrer a vendo morrer?”, a jardineira fez-se de vítima, mesmo sabendo de sua participação no fracasso da rosa (ou seria seu próprio fracasso?).
Não, a rosa ainda não morreu... mas Cris resolveu deixar a rosa de lado. Não quer mais cuidar dela, quer apenas que a rosa volte a ser linda e vistosa como antes e não quer se dar ao trabalho de fazer mais nada. Quer apenas voltar a sentir o agradável cheiro que é exalado.

E quantas as outras duas rosas?
Uma delas está igualmente beirando o falecimento. Não recebeu água, nem luz e nem os nutrientes necessários durante um longo tempo.
Como sobreviver?

Já a terceira conseguiu, com muita resiliência, sobreviver.
E é nela que Cris resolver se apegar excessivamente.
Afinal, a jardineira não sabe ser mais ou menos.

“E se essas três ingratas rosas me abandonarem e eu ficar sozinha?”, pensou em comoção.
Balançou a cabeça como que para desanuviar a ideia.

“Nada é permanente neste mundo difícil, nem mesmo nossos problemas”. Charles Chaplin.
__________________________

Selinho LINDO recebido da Pequena:

Obrigada, Jéssica!
(E desculpa pela demora...)

15 comentários:

Anônimo disse...

Eu acho os seus textos tão... não sei, daqueles tipo que sempre tem uma lição de moral por trás saca? heheahehaue é bom, acho que por isso vc se formou [?] em psicologia.

Ah, de nada. Foi merecido o selinho x)

Gaby Almeida disse...

nada é permanente, mas se ela não tivesse se excedido tanto as rosas teriam sobrevivido mais tempo... pelo menos eu axo q sim...

otimo texto.. otima reflexão...

bjus

Anônimo disse...

Bem, seria o caso de viver e se dedicar intensamente à algo ou alguém? ... pensando...
Poxa! linda mensagem, realmente nada é pra sempre.. como é mesmo aquela música? "o pra sempre, sempre acaba"

*seu blog ta lindo

bjok

Michelle Dangeli disse...

Bom, a gente sabe muito bem que o excesso nunca é saudável em nenhum momento, em nenhuma relação, em nenhum sentimento. Existem pessoas que usam outras como muletas para suas frustrações, são orgulhosas e não mais conseguem raciocinar. Belíssimo texto, Candy!

Alguém disse...

Oi Candy! :)

Parece até um pouco a estória do Pequeno Príncipe, o seu apego e dedicação total a sua rosa...
E se levar mais a fundo isso, levar para o lado pessoal, diria que a minha história está contida em seu post.

Sabe, eu penso que não tem como nos dedicarmos na mesma intensidade e do mesmo modo em mais de uma coisa. Algo sempre sairá com mais ou menos. A opção de fato é nossa e embora, nem sempre o resultado seja bom, devemos estar preparados para enfrentar as conseqüências de nossas escolhas... Refiro-me àquilo que preferimos priorizar.
O que é certo? E o que é errado?
Tenho me feito essa pergunta, ultimamente...

Beijão! Fica com Deus e tudo de bom! :D

Gaby Almeida disse...

no seu caso era só brincadeira, mas eles estão namorando mesmo... mas sei q num gosto dele não, é só posse mesmo...

bjussssssssss

Adrielly Soares disse...

Eu não sei ser mais ou menos. Eu entendo perfeitamente a nossa amiga jardineira. E a minha sorte é que nada, realmente nada é permanente.

Lawrence Tayller disse...

Perfeito seu Post.
Me fez refletir sobre cuidados exagerados com quem amamos.
Talvez nem percebemos mas o sufocamos, fazendo com que logo venha as desavenças.
A todo momento, que lia seu texto, lembrei de um grande e apaixonante amigo meu, o qual sempre estou encima dele, não permitindo ao menos respirar.
Talvez seja por isso, que brigamos tanto.
A partir do seu post, resolvi deixa-lo mais livre, deixa-lo sentir saudades de mim, para que assim nossa amizade dure por muito e muito mais tempo. Que dure eternamente.
Um Grande Abraço

Por Lawrence Brito

Anônimo disse...

Poxa Candy!
Que texto bacana... Acho que já me senti como a rosa e como a jardineira, e sofri muito das duas vezes.

Beeeeeejo lindaa

Kari disse...

Ás vezes não são três rosas, ás vezes podem ser três pessoas ou três coisas...
Mas sabe, o importante é saber cutivar cada uma. Na verdade, ás vezes alguma precisa de mais cuidado que a outra, mas é sempre bom saber cuidar de cada uma, sabe? É complicado, mas é a vida, né?

Espero só que essa rosa volte a brilhar como antes, pois era tão linda...

Fica bem, tá?
Um beijão em tu!

Dani Pedroza disse...

A sua alusão a flores e jardim me fez lembrar do bom e velho ditado popular: "A gente sempre colhe o que planta."

Óbvio que o resultado pode variar um pouco, com as alterações climáticas, etc, etc, etc, mas, em geral, ações iguais trazem efeitos bem parecidos. Moral da estória: acho que enquanto a jardineira for a mesma o destino das flores também será parecido.

P.S.: Entre o 8 e o 80 há uma enorme variedade de outras opções.

Anônimo disse...

Uma rosa é uma rosa, é uma rosa, é uma rosa...

Cuidemo-nos por igual...

Quanto à dilmula, não tá nada desaparecida. É que, igualmente aos destruidores cupins, ela "trabalha em silêncio". Esteve esta semana em Recife para se fazer conhecer pelos "cúmplices petralhistas" pernambucanos. Ela já é fato concreto como candidata.

Saudades tuas...

Marcus Vinícius da Silva disse...

Afeto demais mata. A moral é deixá-las viver, ajudar com o necessário e apreciar o seu perfume...

Beijão!

Anônimo disse...

Oi Candy, tudo bem? Eu fiquei em dúvida quanto ao texto.. Devo ter sérios problemas de interpretação!
O caso das rosas por exemplo, se refere à Cris ter se dedicado à uma pessoa, sendo que outras duas também estavam ali, para serem cuidadas? Trata-se de puro egoísmo? Eu interpretei assim, as rosas sendo pessoas e que a Cris se dedicou demais à uma delas...
Enfim, de qualquer forma é um texto muito bonito!
Eu não estou no meu momento happy pra comentar nos blogs, por isso peço mil desculpas desde já. Você leu minha situação e muita coisa tem acontecido desde aquele post. Coisas que a gente vê que nem precisam acontecer, mas acontecem e sei lá por quê.
Enfim...

Obrigada Candy, pelo seu comentário, pela força, pela amizade e pelo carinho! Obrigada mesmo! Beijinhos! ;***

Carolina Augusta disse...

é confortante saber que nada é permanente! e mesmo que demore a passar cada instante ruim....

ele passa! sempre!


beijos e beijos